Avaliação de autismo em São Roque: caminhos e etapas

Avaliação de autismo em São Roque e região: por onde começar, quais profissionais procurar, o que levar na consulta e como funciona a avaliação.
Ilustração: mãe e filha caminhando por uma estrada entre morros até uma casa

Se você mora em São Roque ou numa cidade vizinha e desconfia que seu filho pode estar no espectro autista, o caminho mais comum começa pelo pediatra ou pela UBS do seu bairro. A partir dali, a criança pode ser encaminhada para neuropediatra ou psiquiatra infantil, que fecham o diagnóstico médico, e para fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo, que avaliam e acompanham áreas específicas.

A avaliação neuropsicológica, feita por psicólogo, é uma das peças desse caminho. Ela pode ser feita em paralelo, sem esperar encaminhamento, e ajuda a entender como a criança funciona. Também não é preciso ter diagnóstico fechado para começar a estimular a criança. Abaixo, explico cada etapa com calma.

Como funciona o diagnóstico de autismo?

Não existe exame de sangue ou de imagem que diagnostique autismo (TEA, Transtorno do Espectro Autista). O diagnóstico é clínico: é feito a partir da história do desenvolvimento, da observação do comportamento e de informações da família e da escola.

Por isso, quase sempre envolve mais de um profissional. Cada um olha para uma parte: a comunicação, a parte sensorial e motora, o comportamento, o funcionamento cognitivo, a saúde geral. O médico reúne essas informações para fechar o diagnóstico.

Questionários de triagem, como o M-CHAT, ajudam a perceber quando vale investigar, mas não dão diagnóstico. Explico isso melhor no texto sobre teste de autismo online.

Onde fazer avaliação de autismo: os caminhos possíveis

1. Pediatra ou UBS: a porta de entrada

O pediatra que já acompanha seu filho é o primeiro contato ideal. Ele conhece a história da criança e pode encaminhar para os especialistas certos.

Pelo SUS, a porta de entrada é a UBS do seu bairro. Em 2025, o Ministério da Saúde lançou uma linha de cuidado para o TEA que orienta as equipes da atenção primária a aplicar o M-CHAT em todas as crianças de 16 a 30 meses, como parte do acompanhamento de rotina. A mesma orientação diz que os estímulos e as intervenções podem começar antes de o diagnóstico ser concluído.

2. Neuropediatra ou psiquiatra infantil

São os médicos que costumam fechar o diagnóstico de autismo. Eles avaliam a criança, consideram as informações dos outros profissionais, descartam outras condições e, quando for o caso, emitem o diagnóstico médico. Pelo SUS, o encaminhamento para serviços especializados é feito a partir da UBS, conforme a organização da rede de cada região.

3. Fonoaudiólogo

Avalia a linguagem e a comunicação: como a criança entende, se expressa e interage pela fala e por gestos. Muitas vezes é o primeiro especialista procurado, porque o atraso na fala é uma das primeiras coisas que os pais notam.

4. Terapeuta ocupacional (TO)

Avalia questões sensoriais (incômodo forte com barulho, texturas, roupas), motoras e de autonomia no dia a dia, como comer, se vestir e brincar.

5. Avaliação neuropsicológica

É feita por psicólogo. Investiga atenção, memória, linguagem, raciocínio, comportamento, habilidades sociais e aspectos emocionais, usando entrevistas, observação e testes padronizados. Ela mostra os pontos fortes e as dificuldades da criança e pode indicar se o quadro é compatível com TEA. O resultado é entregue num relatório que ajuda o médico, a escola e os terapeutas.

Na rede particular, a família pode procurar a avaliação diretamente, sem encaminhamento.

O que levar na primeira consulta

Seja no pediatra, no especialista ou na avaliação neuropsicológica, levar algumas coisas ajuda bastante:

  • Caderneta da criança, com o registro do desenvolvimento e das vacinas.
  • Anotações suas: o que te preocupa, desde quando, em quais situações aparece. Vale escrever antes, porque na hora da consulta muita coisa some da cabeça.
  • Vídeos curtos de situações do dia a dia, como brincadeiras, crises ou a forma como a criança se comunica. Na consulta ela pode agir bem diferente do que em casa.
  • Relatórios da escola ou da creche, se houver.
  • Exames e relatórios de outros profissionais (audição, fono, TO).
  • Histórico da família: se alguém na família tem diagnóstico de autismo, TDAH ou dificuldades parecidas.

Quanto tempo leva para ter um diagnóstico?

Depende muito. O tempo varia conforme a idade da criança, a fila dos serviços na sua região, a agenda dos especialistas e a complexidade de cada caso. Às vezes é rápido, às vezes leva meses.

Dois pontos ajudam a não perder tempo. Primeiro, as etapas podem andar em paralelo: enquanto aguarda o médico, a criança pode iniciar fono ou fazer a avaliação neuropsicológica. Segundo, estimular a criança não depende de laudo. Se há atraso, quanto antes ela recebe apoio, melhor.

Segundo o CDC, a partir dos 2 anos o diagnóstico feito por um profissional experiente já pode ser considerado confiável. Ainda assim, muitas crianças só são diagnosticadas bem mais tarde, e algumas apenas na adolescência ou na vida adulta.

Convênio e reembolso

Muitas avaliações e terapias são feitas no particular, com recibo para pedir reembolso ao plano de saúde. Cada convênio tem regras próprias: alguns pedem encaminhamento ou pedido médico, outros pedem relatório com a justificativa. Antes de começar, ligue para o seu plano e pergunte:

  • se a avaliação neuropsicológica tem reembolso no seu plano;
  • quais documentos são exigidos (pedido médico, recibo, relatório);
  • qual é o prazo para enviar o pedido.

Como funciona a avaliação comigo

Faço a avaliação neuropsicológica com foco em autismo de forma presencial, no meu consultório na Vila Santa Isabel, em São Roque, para crianças a partir de 2 anos e 6 meses. Não é preciso encaminhamento médico para começar. O pedido médico só é necessário se o seu convênio exigir para reembolso.

O processo leva em média dois meses e passa por algumas etapas:

  1. Entrevista inicial com os pais, para entender a história e as preocupações da família.
  2. Sessões com a criança, com atividades e testes padronizados adequados à idade. Para os pequenos, muitas parecem brincadeira.
  3. Informações da escola, quando necessário e com autorização dos pais.
  4. Devolutiva, um encontro para explicar com calma o que foi observado e o que isso significa.
  5. Relatório escrito, com os resultados e as orientações, que a família pode levar ao médico, à escola e aos terapeutas.

A avaliação não substitui a consulta com o neuropediatra ou o psiquiatra infantil. Ela soma informações para que o diagnóstico e o plano de cuidado sejam mais precisos. Você pode ver mais detalhes sobre as etapas em como funciona a avaliação neuropsicológica infantil.

Também tenho experiência clínica com crianças no espectro autista, em terapia e em orientação aos pais. Depois da avaliação, quando faz sentido, a terapia infantil pode ser um dos próximos passos.

Em São Roque e região

Recebo famílias de São Roque e também de Mairinque, Alumínio, Araçariguama, Ibiúna, Vargem Grande Paulista e Sorocaba. Como a avaliação é presencial e acontece em alguns encontros ao longo das semanas, vale considerar o deslocamento na hora de combinar os horários.

Quando procurar ajuda

Procure o pediatra ou a UBS se o seu filho não responde pelo nome com frequência, não aponta para mostrar coisas, fala pouco ou nada para a idade, tem pouco interesse em brincar com outras pessoas, repete movimentos ou falas, ou reage de forma muito intensa a mudanças e barulhos. Se ele perdeu habilidades que já tinha, como palavras ou gestos, procure ajuda logo. O texto sobre sinais de autismo por idade ajuda a entender o que observar.

Perguntas frequentes

Preciso de encaminhamento para fazer a avaliação neuropsicológica?

Não. No particular, você pode procurar diretamente. O encaminhamento só costuma ser exigido por alguns convênios para reembolso.

A partir de que idade dá para avaliar autismo?

Sinais podem aparecer antes dos 18 meses, e a triagem pelo SUS é feita entre 16 e 30 meses. No meu consultório, a avaliação neuropsicológica é feita a partir de 2 anos e 6 meses.

A avaliação neuropsicológica fecha o diagnóstico?

Ela indica se o quadro é compatível com TEA e descreve como a criança funciona. O diagnóstico médico é dado pelo neuropediatra ou psiquiatra infantil, que considera a avaliação junto com outros dados.

Preciso esperar o diagnóstico para começar terapia?

Não. A própria orientação do Ministério da Saúde é que os estímulos comecem antes de o diagnóstico ser concluído, quando há sinais de atraso.

A avaliação é feita online?

Não. A avaliação neuropsicológica precisa ser presencial, porque envolve observação direta e aplicação de testes.

Referências

  • Ministério da Saúde. TEA na Atenção Especializada. gov.br/saude
  • Agência Brasil. Ministério da Saúde lança linha de cuidado para o Transtorno do Espectro Autista, 18 de setembro de 2025. agenciabrasil.ebc.com.br
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Testing and Diagnosis for Autism Spectrum Disorder. cdc.gov
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Signs and Symptoms of Autism Spectrum Disorder. cdc.gov

Se você está em São Roque ou região e quer entender se a avaliação faz sentido para o seu filho, pode me chamar no WhatsApp (11) 91876-0550. Conversamos sobre o que você tem observado e eu explico como funciona.

Texto revisado por Giuliana Piccirillo, psicóloga – CRP 06/190425.

Retrato de Giuliana Piccirillo

Giuliana Piccirillo – Psicóloga

CRP 06/190425 · Pós em Neuropsicologia. Faço avaliação neuropsicológica infantil e de adultos e atendo crianças, adolescentes e adultos no consultório em São Roque – SP. Ficou com alguma dúvida sobre o que leu? Me chama.